E Virou! mesmo. Afinal já não é preciso esperar que seja Roberto Leal (!) a salvar a música popular portuguesa: o super-grupo Diabo Na Cruz, da FlorCaveira, já chegou. São moderno-tradicionais, são folclore, pop e pós-punk, são arrojados, são a nova música portuguesa e... são só o início.
Odeio e adoro os franceses Phoenix. Conseguem ser interessantes ao ponto de irritar e irritantes ao ponto de interessarem. Receita: temas compostos com lucidez e detalhe + refrões ultra-catchy. Segredo: o minimalismo e o pormenor em cada faixa. Conclusão: algo que pop/rock nunca ouviu. E se ouviu, não foi bem-bem assim.
Teratron é um projecto electrónico de dois dos membros dos Da Weasel - Pedro Quaresma e João Nobre. O nome da dupla é inspirado no filme de ficção científica Tron , de 1982.
O álbum homónimo, o primeiro de Jay e Quaresma, em que é notória (talvez até demasiado) a forte influência dos Daft Punk, Kraftwerk e Justice, saiu em Outubro do ano passado e está disponível na íntegra aqui.
Pupa Albo tenta fugir da babilónia procurando refúgio no reggae roots. Escape from Babylon, com o selo da Greensleeves, é um álbum bem mais contido e íntimo que o interior, Soul Pirate. Entretemas roots, lovers rock e raggamuffin, mas a milhas do dancehall, Alborosie confirma o estatuto de um dos melhores e mais influentes da indústria discográfica de música jamaicana.
Fosse a partir do leitor de mp3 ou de CDs, muita e boa música se ouviu. Escolher os melhores álbuns é, então, impossível. No entanto, cá estão aqueles que, de tanto os ouvir no ano que passou, mais riscados estão :
A junção entre os géneros rock e hip hop nunca muito foi bem sucedida. Como afirma Alex Ross (crítico musical do The New Yorker), "a vida musical desintegrou-se em culturas e sub-culturas, cada uma das quais com seus cânones e gíria (...) o que delicia um grupo dá dores de cabeça a outro". Desde Walk This Way (dos Aerosmith com os Run DMC), até às tentativas dos Beastie Boys, Mos Def (especialmente no álbum The New Danger) e do coitado Kid Rock, faltou sempre qualquer coisinha.
Blakroc (que consiste nos Black Keys + rappers convidados) é, no entanto, um projecto louvável que tenta a fusão rap/garage rock. Sem a voz de Dan Auerbach, que se diz fã de hip hop (!), e sendo Raekwon, Mos Def, Q-tip (entre outros) rappers extremamente versáteis, não foi difícil a adaptação entre a banda e convidados. Entre temas bem estruturados e outros nem tanto, o que nota, principalmente, é a necessidade de uma voz bem mais melódica e calorosa em algumas faixas, espaço que é preenchido pela cantora R&BNicole Wray. No fundo, e tendo em conta os antecedentes, o resultado deste álbum homónimo é bastante positivo, mas não deixa de revelar um processo um pouco forçado e, acima de tudo, desiquilibrado.
Na foto: Alva Noto, um senhor que inova por conjugar música e as artes visuais de um modo que ninguém mais o faz.
Música ao vivo já não chega. Em concertos, mas acima de tudo em discotecas, apelar a outros sentidos que não apenas a audição tornou-se imperativo. A aposta na componente visual é já comum, principalmente quando se trata de música de dança e/ou música electrónica, daí a origem do conceito de VJ (Video-Jockey: manipulador de vídeo em tempo real), que se tem vindo a tornar cada vez mais popular. Neon Indian - 6669 (2009)
Dos tempos em que as manifestações culturais africanas (como o samba) eram associadas à bruxaria. Os homens do violão, os sambistas, eram perseguidos. Nascido em 1910, morreu 26 anos depois: o extraordinário cantor do quotodiano Noel Rosa legitimou a música popular brasileira.